sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Minha Terra


Todos cantam sua terra,
Também vou cantar a minha,
Nas débeis cordas da lira
Hei de fazê-la rainha;
— Hei de dar-lhe a realeza
Nesse trono de beleza
Em que a mão da natureza
Esmerou-se em quanto tinha.


Correi pras bandas do sul:
Debaixo dum céu de anil
Encontrareis o gigante
Santa Cruz, hoje Brasil;
— É uma terra de amores
Alcatifada de flores
Onde a brisa fala amores
Nas belas tardes de Abril.


Tem tantas belezas, tantas,
A minha terra natal.
Que nem as sonha um poeta
E nem as canta um mortal!
— É uma terra encantada
— Mimoso jardim de fada —
Do mundo todo invejada,
Que o mundo não tem igual.


Não, não tem, que Deus fadou-a
Dentre todas — a primeira:
Deu-lhe esses campos bordados, Deu-lhe os leques das palmeiras. E a borboleta que adeja.
Sobre as flores que ela beija,
Quando o vento rumoreja
Nas folhagens da mangueira.



É um país majestoso
Essa terra de Tupã,
Desd’o Amazonas ao Prata,
Do Rio Grande ao Pará!
— Tem serranias gigantes
E tem bosques verdejantes
Que repetem incessantes
Os cantos do sabiá.

(Casimiro de Abreu)

Um comentário:

Unknown disse...

Essa foi dedicada para mim, não foi?